Guerra de Ipsula - Dia 1
Desde que me alistei no exército, que treino para este dia (acho eu), e finalmente este dia chegou. Este tão (ansioso?!) dia.
O embarque no avião foi normal, o hastear da bandeira, o formar e o embarcar. Pelotão 5 da Primeira Companhia. Éramos do regimento de Rangers do Porto. Tínhamos idades entre os 18 e os 30 anos. Eu com 21 anos, era o recruta mais recente presente nesta missão. Todos depositavam a sua desconfiança em mim, além de ser o alvo mais fácil era aquele que ouvia, guardava, e mais tarde, fazia voar da arma ( quer por estilhaços, quer por balas gastas, ou por suor), acatava todas as acusações que me faziam sem responder, sem me preocupar.
Desde que acertei a minha primeira vez num alvo, nunca falhei um tiro, consegui fazer da arma uma extensão do eu, uma prótese colada à minha mão da qual eu tinha absoluto controlo. Sobredotado? assassino... Talvez por isso não gostassem de mim.
10h
Todos tínhamos os para-quedas prontos, íamos saltar, pois a pista de aterragem havia sido destruída por bombardeamentos. O salto fez-se, e todos aterramos em segurança. Embarcamos 4 Pelotões naquele avião. 34 bravos e 2 bravas.
O acampamento estava já montado quando chegamos, os ianques tinham uma certa pressa em mandar-nos para a frente de batalha para tirar de lá os seus bravos, sangue português não vale o mesmo que o americano.
De formatura em formatura, fomos saber em que linha estávamos e quando partiríamos para nos juntar aos nossos companheiros, 4ª linha de combate, ou seja, ainda estávamos a umas semanas de sermos a linha da frente, íamos passar os dias a treinar à espera do nosso bilhete para a morte.
Fomos encaminhados para a nossa linha. As armas e mochilas, estavam devidamente etiquetadas no campo de treino (existe treino para a morte?). Começamos logo a treinar, carreira de tiro estava à nossa espera.
Nada mais fizemos o dia todo. Chegada a noite o merecido descanso.1713 balas disparadas. Balas falhadas 0. Balas no alvo 1713. Balas no centro do alvo 1713.